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Cinema, a arte da expressão.
Léia Machado



04/09/2008 11:13
A realidade invade o cinema nacional


Depois de25 minutos de espera agüentando três patricinhas reclamando dos estágios de jornalismo começa o debate sobre cinema e documentário nacional com João Moreira Salles, Bruno Barreto e o editor da revista Bravo que aconteceu no dia 14 de agosto de 2008 na Fnac de Pinheiros em são Paulo.
O gênero da não ficção está atraindo, timidamente, os brasileiros a conhecerem sua própria historia. Com uma linguagem pedagógica os documentaristas narram historias verídicas que chocam muita gente que não faz parte daquela realidade.
O filme Tropa de Elite gerou muita repercussão e chocou a sociedade com aquela realidade que muita gente não tem noção que aquilo pode acontecer. E para as comunidades carentes o filme contou a historia de suas vidas, da dificuldade de morar em um fogo cruzado entre policia e bandido.
O filme Ultima Parada 174, de Bruno Barreto, foi baseado no documentário Ônibus 174, de José Padilha e conta a historia da mulher que adotou o protagonista como filho. O diretor se baseou em uma historia trágica para contar uma historia de amor entre uma mãe e um filho. Ambos narram historia da realidade do Brasil: a violência e o amor.
O cinema brasileiro está utilizando muitas ferramentas do documentário como a câmera na mão, atores não profissionais que vivem a realidade da narrativa filmada, a veracidade dos fatos, a luz natural que aqui entre nós, é fantástica com tons fortes e expressivos. É o jeitinho brasileiro de entrar em uma discussão sobre os problemas sociais utilizando os recursos naturais.
O cinema pega a realidade do documentário coloca fantasia na narrativa por isso q fica tão próximo de nós. Muitos saem da sua realidade social e vai filmar o outro. Do outro lado da ponte, do outro lado do morro, do outro lado da vida. São historias que acontecem todos os dias.
Antes de o cinema ter todo esse sucesso, quem discutia os problemas sociais do país era a literatura. Hoje o cinema toma esse papel para si e é com ele que os brasileiros encontram uma maneira eficaz de discutir seus problemas.
Com essa proximidade da realidade a ficção se inspira no documentário para contar histórias de amor e guerra. A ferramenta utilizada por ambos é a imprevisibilidade. Os cineastas saem de casa sabendo o que eles querem e com uma idéia pronta na cabeça, mas não sabem o que vai aparecer para que suas lentes possam captar o outro. A narrativa se desenvolve a partir do olhar sensível do diretor e contar historias se transforma em algo mágico e quem ganha é sempre o espectador que no final vê uma narrativa próxima da nossa realidade. Uma espécie de é tudo verdade, para chacoalhar a sociedade e tentar abrir os olhos dos que insistem em fechar.
Vamos ver como será esse cenário nos próximos dez anos. Como diz João Moreira Salles: “agora eu quero ver um índio fazendo um filme sobre um cineasta.”

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23/06/2008 16:48
Vermelho como o céu

Vermelho como o Céu, dirigido por Cristiano Bortone, é um filme belo e encantador. Com ótimas interpretações, o filme fala de relações humanas e destaca a superação e amizade.

O filme conta a história de Mirco que como qualquer outro garoto gosta de brincar com os amiguinhos. Até que um trágico acidente o fez perder a visão e é transferido para um colégio especialista em educação de meninos deficientes visuais. Lá Mirco se depara com seu problema e a maneira que encontra para superar a perda da visão é fazer radionovelas. Ele começa a captar todos os sons em um pequeno gravador e o resultado é uma narrativa surpreendente.

A historia é surpreendentemente forte. È impressionante como a capacidade humana pode superar as expectativas. A imaginação fica mais sensível e as limitações podem ser superadas.

Baseado na história real de Mirco Mencacci, um renomado editor de som da indústria cinematográfica italiana, Bortone dirige o drama com muita sensibilidade. Nada de melodrama, clichês e marasmos. Emociona por ser verdadeiro e simples.

Léia Machado | comentários(1)



26/02/2008 16:17
Os Incompreendidos
Ainda bem que a audiência do Oscar está caindo, e a ficha do público também... quem sabe em um futuro não muito distante os melhores e verdadeiros eventos de premiação de filmes ganhem espaço e o cinema finalmente será aclamado com louvor.

Enquanto isso não acontece vamos falar de uma obra prima do cinema francês: "Os Incompreendidos" de François Truffaut.

Estava eu na livraria da vila lá na Fradique Coutinho - São Paulo, procurando um DVD infantil para dar de presente ao meu querido sobrinho e sem eu esperar o que vejo na prateleira: o DVD "Os incompreendidos". Comprei claro. Cheguei em casa e me deparei com um filme de 1959, preto e branco, e com uma história tão simples, bela e poética.

O filme de Truffaut fala da historia de Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), um garoto que vai mal nos estudos, que tem constantes brigas com os pais, que sai de casa, que rouba. Vive uma vida um tanto quanto perturbada e precisa lutar, principalmente, consigo mesmo para ser um homem de bem, com virtudes e responsabilidade.

Há quem diz que o filme seja autobiográfico, que Truffaut passou por situações parecidas com as de Antoine. Verdade ou mentira, seja em quem for que o diretor e roteirista se inspirou, o filme tem um grau de influencia sobre o espectador, fazendo-nos sentir a dor e revolta do protagonista, ter compaixão do pobre garoto que não tem culpa de não ser compreendido.

A obra faz parte do leque de opções que a Nouvelle Vague trás para seus espectadores. O movimento francês tinha como característica "a nova onda", quebra dos padrões de filmagem hollywoodiana, com roteiros mais livres e diferentes formas de captação, iluminação e cenário e que influenciou a revolução do cinema novo em vários países, inclusive no Brasil. Está explicado a geração Glauber do circuito nacional.

Os incompreendidos é um filme para sensibilizar-se, emocionar-se e envolver-se. Apesar de muita gente torcer o nariz para os filmes mais antigos, o longa de Truffaut dá de dez a zero nessas "super produções" de efeitos especiais. Desde o roteiro até a cena final.



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18/01/2008 19:10
Em Paris


O filme Em Paris, dirigido pelo francês Christophe Honoré, aborda uma trama sensível de amor, encontros e desencontros, família e farra. Para colocar alguns adjetivos: é sim lindo, fofo, com um roteiro interessante e traz no elenco Louis Garrel (um ótimo e lindo ator). Honoré sendo um seguidor da Nouvelle Vague, fez jus ao movimento e trouxe um entretenimento de qualidade para o público.

A história fala sobre dois irmãos, um que está deprimido porque terminou um relacionamento e o outro que tenta levantar o astral do irmão, mas na verdade sai e fica com várias mulheres, um típico Dom Juan. No meio dos dois tem o pai que faz de tudo para os filhos, e que ainda ama a ex-mulher.

A trama se passa na maravilhosa Paris e emociona com humor e delicadeza.

Pronto. Já falei basicamente do filme. O que quero mesmo é puxar um pouco a atenção do pai dos bonitos protagonizados por Louis Garrel e Romain Duris. Seu personagem é tão simples que chega a encantar. A dedicação de um pai para o filho que está com depressão, que leva comida na cama, que abraça e tenta confortar a dor do filho, mesmo não tendo intimidade para isso. Um pai paciente com o filho mulherengo quando “abriga” antigas namoradas, e atura a falta de interesse nos estudos. Um pai de família que foi abandonado pela mulher e que sente falta da vida de casado.

Me chamou muito a atenção deste pai. Um simples personagem que não tem muita atenção no filme. Não sei se é porque falta esta presença paterna em minha vida, mas sinceramente, um personagem escrito com tanta sutileza não pode passar despercebido. Sua posição é muito bem feita e a trama nao seria a mesma sem a preseça que ele impõe.

Neste belo e poético filme, ficamos certos de que não estamos diante de um filme comum, e sim de uma obra madura e cativante.
Léia Machado | comentários(4)



01/10/2007 20:03
Marvada Carne
É a marvada pinga que me atrapáia!
Frase normalmente ouvida nos botecos, nas festas de faculdade, nas esquinas da cidade, nas reuniões familiares, nas festas da vila, nas circunstancias da vida.
A Marvada Carne.
Frase que não ouvimos com tanta freqüência. Pra falar a verdade hoje em dia não ouvimos muitas coisas sobre ele. Sim sobre ele. O filme é dirigido por André Klotzel e trás no elenco Fernanda Torres, Adilson Barros e Regina Casé, esta ultima num papel hilário de demônio com uma péssima interpretação, mas que acaba se tornando engraçada de tão tosca. Fernanda Torres foi ótima no papel tanto que ganhou o premio de melhor atriz no festival de Gramado no ano de 1985.
A Marvada Carne é um filme que se passa no sertãozinho de meu Deus e conta a historia de Nhô Quim, um homem que só pensa em arrumar uma mulher pra mode cuidar dele e comer carrrrrne de boi. A trama é engraçada, envolvente e encantadora. Um filme divertido onde até alguns personagens do folclore brasileiro fazem uma pequena participação. Com uma crítica peculiar aborda a vida nos migrantes nordestinos que vem para São Paulo construir sua vida.
O diretor André Klotzel também tem em seu currículo os longas “Capitalismo Selvagem”, cuja história gira em torno de uma investigação jornalística sobre atividades de mineração em reserva indígena, e “Memórias Póstumas” baseado no romance de Machado de Assis Memórias Póstumas de Brás Cubas.
O filme participou de vários festivais internacionais e foi visto por mais de um milhão de pessoas em salas de cinema do Brasil.
Mesmo com tantos bons filmes nacionais sendo lançado no mercado hoje em dia, vale a pena sentar e assistir Marvada Carne.

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